A implantação do pedágio no Paraná, na segunda metade da década de 1990, nada mais foi do que consequência da ineficiência dos órgãos públicos de gerir adequadamente o dinheiro do contribuinte e de priorizar investimentos realmente importantes e urgentes, a exemplo das rodovias. Com BRs aos pedaços, que custavam muitas vidas e engessavam a economia do Estado, então optou-se pela cobrança do pedágio em uma época de dólar fortemente valorizado.
O Paraná passou a ter, desde então, uma das mais caras tarifas do País. Entretanto, a qualidade dos serviços nem de longe atende à expectativa de quem paga valores que tanto pesam sobre a competitividade dos setores econômicos de um dos estados conhecidos pelas suas safras agrícolas exuberantes. Não há dúvidas de que a concessão das rodovias trouxe alguns benefícios. As rodovias, no eixo que forma o Anel de Integração, estão melhores, entretanto não seria difícil deixá-las em situação mais adequada diante do sério quadro de precariedade que apresentavam.
A posição da Caciopar sobre o pedágio é justamente aquela de setores produtivos e de usuários que querem, diante do pagamento de uso dessas rodovias, ter estradas confiáveis, bem conservadas e sinalizadas e com investimentos em aumento de capacidade de fluxo. A Caciopar, que representa 47 associações comerciais, entende que se é por meio da concessão e do consequente pedágio que a região terá estradas melhores, então que os valores das tarifas fiquem associadas às reais condições das mesmas.
Hoje, o percurso de rodovias duplicadas é pequeno e é mínima a quantidade de terceiras faixas fundamentais para o tráfego a fluir. Quanto às concessões, o que se espera é a transparência, pois essas são contratos públicos que devem ser de conhecimento de todos, mesmo para que haja o controle de entidades organizadas e da sociedade daquilo que é cobrado, bem como do que foi e é feito e do que está programado para fazer.
Sobre o debate quanto aditivos ou renovação dos contratos, o que se espera, até em função do confuso histórico da concessão de rodovias no Paraná, é que o diálogo e o bom-senso sejam os grandes norteadores do assunto. O Oeste, apesar de sua enorme contribuição ao desenvolvimento do Estado e do País, segue com deficiências estruturais graves. Por isso, os governos estadual e federal precisam ter um olhar mais estratégico para uma região que tanto produz.
Por tanto, a Coordenadoria defende tarifa justa, que não onere o setor produtivo, que os investimentos, principalmente em duplicação, estejam contemplados e que sejam honrados. Diferente de acordo com interesse eleitoreiro que, em troca da redução do valor da tarifa, desobrigou as concessionárias de várias obras, inclusive da duplicação da BR-277, que há tanto é cobrada pela comunidade do Oeste.
Estradas em boas condições são indispensáveis para a circulação de riquezas, mas principalmente para preservar vidas preciosas. Coerência, transparência e sensatez devem orientar um debate tão importante e com reflexos tão profundos à região e ao Estado.
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